A beleza oculta do câncer

Essa semana assisti ao filme “Beleza Oculta”. A história é sobre o trauma sofrido por um pai ao perder sua filha de 6 anos para o câncer. Antes de receber a notícia da morte, uma mulher desconhecida o parou no hospital e pediu para que aquele pai “não deixasse de perceber a beleza oculta”.

Então, parei pra pensar sobre a tal “beleza oculta” do câncer. Quando recebi a diagnóstico do Linfoma de Hodgkin, algo dentro de mim mudou. Meu mundo virou de cabeça para baixo, meus sentimentos ficaram todos bagunçados. Mas agora sinto que aquela bagunça pode ter colocado algumas coisas no lugar.

Talvez a beleza oculta de passar por uma doença que ainda é considerada um tabu e que ainda é vista como uma sentença de morte, seja nos fazer perceber que não sabemos nada da vida. Isso nos faz abrir os olhos para muitas coisas que precisam mudar, tanto dentro de nós mesmos como também nos outros e no mundo como um todo.

Eu me dei conta que, às vezes, falo com muita propriedade sobre algum assunto que não conheço tão bem assim. Estou aprendendo a ouvir mais e falar menos, tentar entender melhor os problemas antes de julgar e palpitar. A beleza oculta do câncer é me fazer ter muito mais empatia com a dor do outro; é me fazer entender que, mesmo que eu não saiba dar um sábio conselho ou que eu não possa ajudar diretamente aquela pessoa, eu posso simplesmente demonstrar que entendo a sua dor. E, às vezes, é só disso que as pessoas precisam: alguém que entenda suas dores e ofereça um ombro amigo.

A beleza oculta do câncer também é me tornar meio egoísta. Não me entenda mal, não digo que fiquei egoísta a ponto de só pensar em mim e não me importar com mais nada. Digo egoísta no sentido de ter mais cuidado comigo mesma, com a minha saúde, meu corpo, meus pensamentos. Porque, afinal, ter câncer é viver em uma crise quase que constante, com pensamentos que te massacram e talvez depois te confortem. Ser meio egoísta é se permitir ter esses pensamentos, sentir o que tiver que sentir, chorar, e depois tentar usar essa fraqueza como algo que te fortaleça.

Enfim, acho que a beleza oculta do câncer é nos fazer sentir. Perceber que devemos ser mais gentis com nós mesmos e com os outros. Mas também é não deixar os outros interferirem nas nossas dores, nos falarem que não devemos sentir tal coisa. Sinta, e sinta muito. Saiba que existem pessoas que também sentem as mesmas coisas que você, é só procurar. Busque uma rede de apoio, ache pessoas que compartilham das suas dores. E, se estiver sentindo algo que você não compreenda ou que te faça sofrer mais do que o normal, saiba que é preciso procurar ajuda psicológica, e que não há nada de errado com isso.

Ass.

Carol Antunes 

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