Âmago sucumbido

Eu não acho que eu tenha esse chamado “mal do século” que deixa tanta gente angustiada e triste, mas tive e ainda tenho uma coisa que pode levar facilmente a uma depressão. Uma pequena coisinha dentro de mim que se chama ansiedade. Sabe, eu sempre me senti muito bem com a minha ansiedade, com a minha busca incessante em administrar o tempo perfeito, em organizar um futuro ideal e em tentar o tempo todo dar o melhor de mim pra agradar as pessoas, isso era bom pra mim, na minha visão, claro!

Minha ansiedade me movia, eu queria realizar, apenas, eu queria correr contra tudo e todos os poréns, e se me der corda hoje, eu ainda volto a fazer todas essas coisas, mas o inacreditável aconteceu. O futuro incerto chegou pra mim na pior visão que eu poderia imaginar, afinal eu ainda tenho 20 anos e nada de grave ou assustador aconteceu comigo, mas para mim a minha situação foi um pesadelo.

25 de julho de 2017, o dia em que eu voltei pro meu cursinho, o qual eu frequentava pois queria estudar medicina, voltei das férias de inverno após a derrota de cinco tentativas em vão de entrar na tão sonhada faculdade e como se isso não bastasse, o meu amado namorado havia passado em uma das faculdades a qual eu também prestei, e tinha ido embora, para outro estado, para mais de 600 km longe. Os amigos dele, que eram tão gentis comigo no passado agora já nem me olham mais nos olhos, é incrível como as pessoas podem mudar de uma hora pra outra, e foi ai que eu percebi que na verdade eles não se importavam comigo, só eram educadas por causa do meu namorado.

Eu me sentia sufocada nos meus próprios pensamentos insanos de querer jogar tudo para o alto e sumir por um tempo. Depois eu vi que não queria sumir, eu só queria um colo, atenção, carinho, alguém que falasse, “Calma! Para, senta e desabafa comigo” e depois de eu falar tudo me desse um abraço. Naquele momento eu não podia contar nem com minha mãe, uma vez que ela tinha feito uma cirurgia e morava numa cidade a 400 km de mim.

Além desse mix de incerteza do que eu faria eu resolvi ir com uma amiga fazer “Um dia de medicina” em uma universidade aqui da minha cidade, para me motivar a estudar e colocar a cabeça no lugar, e além disso caso eu passasse nessa universidade eu poderia ficar perto do meu namorado e deixar meus pais orgulhosos. Foi um dia legal, mas enquanto minha amiga estava suspirando de desejos de fazer parte daquilo tudo, eu estava me sentindo muito despreparada, com medo e chorando, sem saber de nada do futuro. Sabe o que é difícil de escutar? As pessoas dizendo que eu desisti, pensando que eu não dei conta desse tal “vestibular pra medicina”.

Depois disso tudo eu resolvi mudar, escolhi trocar meu curso e nem minha ansiedade conhecia meu coração, por isso não acompanhou o ritmo certo e eu me perdi. Foram muitas brigas com meu pai após essa escolha, mas não o culpo, afinal ele sonhou com a filha médica desde que eu tinha apenas 10 anos e nem eu mesma sabia o que era uma faculdade. Neste período também tive brigas com meu namorado e a distância foi o primeiro fator, a farra da faculdade deixava ele triste por não poder “ficar” com outras meninas, e ele ainda me contava que elas davam em cima dele … Era horrível escutar, mas eu escutava, e eu morria por dentro, e como isso doía. Então eu arrumei as malas, peguei um avião e fui direto ao encontro dele a fim de terminar o relacionamento e sabe o que aconteceu? Ele não me deixou terminar… ele não queria me perder, ele queria o melhor dos dois mundos, faculdade e eu. Eu enchi meu coração de carinho novamente pra depois de alguns meses ele vir e me dizer que queria curtir a fase da faculdade.

Eu não fui criada pra isso, não fui criada pra sofrer, pra lidar com as derrotas da vida, fui criada para ser excelente, e eu não sabia lidar com a rejeição. Este momento foi o meu limite, nem eu mais sabia o que fazer, não queria comer, não queria ver séries, sair do sofá, eu estava mentalmente perdida pois minha planilha havia sido apagada por parte de pessoas que eu amava e por parte minha mesmo, e neste ponto que meu psiquiatra e psicólogo entraram em ação, ganhei um cachorro (que é o amor da minha vida) e aos poucos eu fui melhorando.

Minha psicóloga era minha amiga, era tão bom me abrir com ela porque minha mãe morava longe de mim e era com ela que eu desabafava, apesar disso minha mãe estava em casa provando para o meu pai que seria bom que eu fizesse administração e trabalhasse com ele. Meu irmão foi meu melhor amigo e me apoiou desde o começo, já meu namo… quer dizer ex namorado, que dizia ser meu melhor amigo, hoje em dia nem fala mais comigo. Mas sabe, eu mudei todo meu ideal de futuro, mudei de estado, voltei a morar com meus pais, sai do cursinho e entrei na faculdade de administração que eu queria, além disso eu fiz novos amigos e ainda preservei os amigos antigos também!

E sabe o que eu descobri? Que só a gente pode se reerguer, só eu podia fazer algo pra ser melhor, porque as pessoas falavam e eu nem ligava, ninguém me entendia, e me perguntava porque só eu estava passando por aquilo, porém, uma pessoa uma vez me disse que felicidade vem de dentro e que só nós podemos fazer algo para melhorar. Aprendi também que pensar positivo atrai o positivo para nossas vidas. Hoje em dia eu faço de tudo para ficar bem, as vezes eu sinto que estou prestes a mal de novo, mas estou me esforçando para fazer com que tudo que eu amo me preencha.

No final eu posso parecer uma pessoa bem clichê, mas quem não ama rir com os amigos, juntar a família num almoço de domingo, sair para beber como um bom universitário, ouvir suas músicas preferidas e dançar muito na sala – aliás, a música Ultraviolet do Stiff Dylans é ótima para se soltar – e comer muito aquilo que a gente mais gosta! Não digo que nunca mais terei uma recaída, mas estou definitivamente aprendendo a lidar com mudanças e não é nem um pouco fácil mudar, só que se eu ficar deitada sentindo pena de mim mesma e sem tomar uma atitude eu nunca vou ser a pessoa que quero na vida. Eu sou responsável pela minha própria felicidade, apesar das pessoas serem de suma importância na minha vida só eu tenho o poder de tentar ou não ser feliz nessa vida. E que vida em, quanta coisa boa ainda tem por vir, ainda tenho pra descobrir, ainda tenho pra quebrar a cara, pra amar, chorar, rir, abraçar quem eu amo, vibrar de emoção e me renovar pra buscar o melhor de mim, mesmo que meus planos mudem, hoje eu sei que viver é assim e que toda tempestade passa, mesmo que ela volte sempre vão existir mais dias ensolarados que nublados.

Enfim, é isso, eu sempre fui feliz, eu só tive momentos infelizes e mesmo que eu seja muito ansiosa, eu estou aprendendo a viver com isso , a controlar minha própria ansiedade e controlar minhas emoções cada vez mais para conseguir viver e aprender tudo o que for possível nessa vida, e mesmo que você também esteja passando por tudo isso, acredite, uma hora tudo passa, uma hora a tempestade acalma e em todas as horas não se esqueça de tudo que te faz feliz e de todos que te amam, se isso não for o suficiente, viva pra descobrir o que pode te fazer mais feliz no mundo. Só depende de nós escolher amar, ser feliz e escolher viver.

Ass.

Laura Nicodemos

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