Não aguento mais ficar em casa, o que fazer? | COVID-19

Não aguento mais ficar em casa! Você se identifica com isso? Pois bem, então separa alguns minutinhos para PARAR e pensar sobre isso.

Como tem sido este período para você?

A pandemia do COVID-19 e suas consequências têm exigido de todos nós MUITAS adaptações. Ouso dizer que nunca fomos acostumados, por um tempo tão longo, a conviver com todos os pensamentos e sentimentos que se passam pela nossa cabeça, uma vez que a rotina, o dia-a-dia, muitas vezes não nos permitia um momento de “respiro” e introspecção.

Esta dinâmica que nos faz funcionar no piloto automático, muitas vezes, nos impede de perceber o momento presente, as pequenas conquistas e cada etapa necessária para conquistas mais complexas. Por consequência acabamos por não saber o que fazer com tudo isso que se passa conosco.

Mas o contrário também é verdadeiro, todo esse momento de reclusão nos fez deparar, com maior intensidade, com a nossa solidão, com aquele sentimento de vazio e incompletude. O que pode nos levar a um humor mais deprimido e, consequentemente, a um adoecimento.

Esta lógica também vale quando pensamos sobre nossa interação com as pessoas ao nosso redor. Muitas vezes mesmo antes da pandemia eu já não tinha um bom relacionamento com estas pessoas, porém o meu dia-a-dia me permitia outras resoluções: me isolar, sair, evitar conflitos. Hoje me vejo convivendo 24 horas com essas pessoas.

Você já reparou o quão pouco, às vezes, conhecemos estas pessoas? Às vezes eu não sei conversar, nem perceber o que se passa comigo, quem dirá construir um diálogo com alguém de fora? A vida envolve conflitos e os relacionamentos exigem trabalhos. Não há forma de evitar isso.

É importante compreendermos estas relações e nossas expectativas com relação a elas, pois estamos “apenas” há 3 meses nesta situação e em uma relação ruim com meus pares desde que me conheço por gente. Não é de uma hora para outra que eu construo uma relação.

Como sabemos, o confinamento provocado pela pandemia tem resultado em alterações da nossa rotina e do contato social e físico e, diante disso, temos percebido a manifestação do tédio e da frustração. Saber que esta é uma condição que nos é IMPOSTA e não ESCOLHIDA, nos dá a sensação de IMPOTÊNCIA, de falta de controle, de ansiedade e angústia, pois não posso usufruir do meu livre arbítrio. 

Em outros momentos poderia até escolher ficar em casa, porém não ter a possibilidade de ESCOLHA nos frustra. Digo por mim Há 3 meses atrás se me chamassem para uma balada ia rolar algumas desculpas, uma grande preguiça e eu acabaria em casa, mas se me chamassem hoje eu já estaria lá, com certeza.

“Eu não aguento mais ficar em casa” muitas vezes está relacionado também a minha dificuldade em compreender e respeitar LIMITES, não só os meus, mas aqueles estabelecidos por aspectos externos a mim, o que nos leva a mais uma reflexão: nem tudo o que eu quero é aquilo que eu preciso naquele momento, ou nem tudo o que eu quero para aquele momento é possível naquele momento. Você consegue reconhecer os seus limites?

Isso nos leva a outros questionamentos: quanto tenho exigido de mim mesmo? Será que tenho desejado uma adaptação brusca e instantânea? Será que esta é a minha tendência? Será que “não estou aguentando mais” toda essa situação, pois na minha fantasia eu deveria estar totalmente bem adaptado, sem angústia alguma, produtivo e fazendo mudanças funcionais para minha vida e retomando tudo o que eu sempre fiz?

De acordo com Zizek, precisamos começar a admitir para nós mesmos, quando pensamos nesta pandemia, que “a ameaça veio para ficar: mesmo se essa onda recuar, ela voltará a surgir em novas formas, talvez até mais perigosas. Não há retorno ao normal, o novo “normal” terá de ser construído […].”

O que ele está querendo dizer é que precisamos começar a desconstruir alguns paradigmas (modelos/padrões) aos quais sempre fomos habituados e encontrar NOVAS forma de ser no mundo. Formas de se relacionar, de se comunicar, de se expressar, de sentir. E por onde começar? Pelo simples, pelo mínimo, pelo menor, pelos aspectos que muitas vezes denominamos até de banal, de tão insignificantes que, a um primeiro olhar, pode parecer.

Todo esse (novo) cenário pode ser analisado à luz dos estágios de luto em que passamos quando vivenciamos uma perda. Penso que todos nos deparamos com a negação de tudo (das mortes, do isolamento, da COVID-19), com aquela recusa em aceitar o fato: “Isso não pode estar acontecendo, não comigo.”; seguida da raiva (que vem quando a gente já não pode mais negar o fato: “Como isso pôde acontecer comigo?”). 

Logo depois vem negociação, a barganha em uma esperança de que, de alguma forma, possamos postergar ou modificar o fato: “Se eu pudesse apenas voltar e aproveitar mais os momentos de liberdade”). Depois a depressão, o sentimento de que é tarde demais, de que tudo está perdido; e, por fim, a aceitação de que estamos diante de uma ameaça séria e precisamos mudar todo o nosso modo de vida. Não necessariamente segue esta ordem ou todos passam por todos eles.

A aceitação deste momento é quando paramos de nos alienar de todas estas questões e buscamos encará-las, tentando encontrar alternativas de como se viver diante de todo este cenário, com o mínimo de qualidade de vida e saúde mental.

Também é importante frisar que estamos vivenciando um momento de crise e uma crise não é, em essência, caracterizada somente por seu aspecto negativo (restrições sociais, perda de autonomia, possível adoecimento). Uma crise é um evento que foge à norma e ao esperado, seja em função de sua intensidade ou prolongamento, e que transforma aquele que a vivência.

Uma forma de interpretar a crises é vê-la como uma oportunidade frente às mudanças auto impostas. A confusão é a essência real da desaprendizagem e da nova aprendizagem. Se não há confusão, não pode haver mudança, nem progresso.

 Psicóloga Mariana Diniz

CRP: 06/142181

Mariana atualmente atende pela Mente Amiga.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

TEXTO: Žižek, Slavoj. Pandemia: Covid-19 e a reinvenção do comunismo (Pandemia Capital) . Boitempo Editorial. Edição do Kindle.

https://d494f813-3c95-463a-898c-ea1519530871.filesusr.com/ugd/c37608_e2757d5503104506b30e50caa6fa6aa7.pdfnos

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