O que o câncer faz com as pessoas que te amam

Quando recebi o diagnóstico do Linfoma de Hodgkin, minha mãe estava sentada do meu lado na sala de espera do médico. Ela viu quando minha feição se transformou e o desespero tomou conta de mim, viu meus olhos encherem de lágrimas e me amparou quando eu desabei. Ela aguentou firme, segurou o choro e correu comigo para todas as consultas e exames necessários para que eu começasse meu tratamento o mais rápido possível. Ela me ouve com muita atenção quando eu preciso desabafar, me abraça quando eu não quero ouvir nenhum tipo de consolo e me dá forças quando sinto que está difícil seguir em frente.

Já meu pai, inicialmente se manteve bem positivo e segurou as pontas, assim como minha mãe fez. Me deu um abraço tão apertado que parecia que estava querendo arrancar o câncer de mim. Eu sabia que ele estava pirando por dentro, afinal não deve ser nada fácil ver uma filha enfrentando uma batalha tão difícil com apenas 22 anos de idade. Aos poucos ele vem demonstrando realmente o que se passa em sua cabeça em relação a tudo isso. Sinto de longe o caos, a tristeza, a preocupação. Às vezes parece que, de alguma forma, o câncer afetou mais ele do que eu. Ele fica inconformado quando eu choro pela queda dos meus cabelos, ou quando fico triste porque não posso sair com meus amigos. Afinal, o que pode ser mais preocupante do que tratar um câncer? Não é fácil entender todo esse processo.

O resto da minha família tem diferentes reações. Uns choram todas as vezes que me veem; outros me tratam normalmente, porque sabem que, apesar de eu ter câncer, essa doença nunca me teve.

Já meus amigos têm feito um ótimo trabalho até agora. Me ouvem carinhosamente e me acalmam quando alguma coisa acontece; arrumam lugares que eu me sinta bem pra gente poder se encontrar e botar o papo em dia; me levam pra comer o que eu tenho vontade; compartilham todos os meus posts com muito orgulho, às vezes até me colocando num pedestal que eu nem merecia estar.

O câncer afetou as pessoas que eu amo de diferentes formas. Alguns não sabem muito o que falar, então preferem se manter afastados. Outros querem estar tão presentes que acabam me sufocando. Outros agem com tamanha naturalidade que às vezes até esqueço que estou doente. E, infelizmente, outros tentam minimizar minhas dores, falando que não tenho que me preocupar com isso ou aquilo, achando que dessa forma eu vou parar de sentir.

Não estou nessa luta sozinha. Tenho uma rede de apoio imensa, composta por algumas pessoas que eu nem conheço pessoalmente. Se não fossem todos eles ao meu lado, certamente eu já teria desabado. O mérito da força que eu venho tendo é meu, mas também é deles. Me sinto tão amada que nem sei como descrever.

Ass.

Carol Antunes

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