Seja gentil com você mesmo

Durante minha sessão de psicoterapia dessa semana, falei para a minha psicóloga que eu, que nunca tive medo de agulha, estava começando a ficar com aflição de quando a enfermeira fura meu cateter para a quimioterapia. Além disso, o cheiro do álcool que ela passa na minha pele antes de furar o cateter tem me deixado enjoada. Acredito que eu comecei a ter aflição e enjoo porque associo essas coisas à quimioterapia, e como eu já estou em remissão e sei que o término do meu tratamento está próximo, meu corpo começou a rejeitá-las. Diante disso, minha psicóloga disse para eu tentar mudar esses sentimentos através de uma conversa com o meu próprio corpo.

Quando ela falou isso me lembrei que, antes de descobrir o Linfoma, eu tinha uma dor muito forte na coluna todos os dias, que passava só com analgésicos fortes e muita, mas muita paciência. Cheguei a chorar de dor alguns dias. Quando recebi o diagnóstico, percebi que uma das manchas que meu exame mostrava era bem onde eu sentia a dor, o que significava que, se a quimioterapia desse certo, eu não sentiria mais aquilo.

Assim, passei a “acalmar” meu corpo através de uma simples conversa. Pode parecer bobo, mas fazer carinho nas minhas costas debaixo da água quente do chuveiro todos os dias aliviava um pouco a dor que eu sentia e me tranquilizava por saber que ela logo iria passar. Então, depois da primeira sessão de quimioterapia, a dor nunca mais apareceu. Se não fosse a conversa durante a terapia, eu nem lembraria que ela um dia existiu.

Além disso, também conversei muito com o Linfoma. Logo no começo do tratamento, disse que eu aceitava a presença dele, agradeci pelos ensinamentos que ele me trouxe e deixei claro que eu seria gentil com ele. Não o questionei, nem o rejeitei. Apenas pedi para que ele fosse gentil comigo também. E não é que ele foi? Chegou como quem não quer nada, me virando de cabeça pra baixo, e depois foi embora rapidinho. Ele estava só de passagem, para me mostrar um monte de coisas que eu precisava aprender.

A moral de toda essa história é: seja gentil com você mesmo, com seus problemas e com as pedras que aparecem no seu caminho. Porque, afinal, esse realmente é o SEU caminho, e não adianta negarmos todas as adversidades que encontramos pela frente. Precisamos aceitá-las e encará-las. E é mais fácil de encarar quando somos gentis com nós mesmos, com o nosso corpo e com o nosso próprio processo de evolução.

Ass.

Carol Antunes

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